quarta-feira, 26 de agosto de 2009
TP 5, por Nazarete Mariano
Tendo como objetivo caracterizar o sentido do texto não verbal a partir do estilo de Mauricio de Souza, foi trabalhada a tirinha do AA5 da página 45,observando o estilo desenvolvido nas sequências dos quadrinhos, bem como a coerência na construção das idéias, em que os alunos iriam observar as sequências dos fatos
Após a análise dos quadrinhos foram desenvolvidas as questões existentes para essa atividade, entre elas os alunos produziram as falas com relação a cada quadrinho.
Observei, nesta atividade, que muitos alunos não conhecem a turma da Monica, apesar de serem Jovens e Adultos, diante de tal fato, foi feita a leitura sobre a biografia de Mauricio de Souza e sua importância para o gênero em questão, retratando as características própria do seu estilo, pois os estudantes não tinham contato com a leitura de gibis no decorrer da vida. Foi proposto portanto, a criação de uma caixa de leitura sobre gibis para uso em sala de aula, estamos na fase de doação dos gibis.
Outra observação pertinente, foi sobre a compreensão por parte dos alunos em relação ao gênero em questão, os mesmos tiveram um pouco de dificuldade para responder as questões escritas, porém em relação a interpretação oral houve bastante facilidade.
Segue um exemplo de atividade desenvolvida pela aluna, os demais fizeram a escrita com lápis e não deu colar no scanner.
A partir dessa atividade, dei continuidade aos trabalhos voltados para a coerência a partir dos enlaces das idéias. Nesta atividade foram trabalhadas tanto a coerência como a coesão na produção do texto. Segue a atividade de coesão e coerência.
Atividade 6 – Coesão e Coerência – Profª Nazarete Mariano
Abordei, essa atividade, de maneira lúdica e prazerosa. Trabalhei, a partir da atividade proposta no AA5 pg 95, com o enlace das idéias. Objetivando a análise da construção da coerência em textos, e como se constrói as idéias a partir de conectivos de ligação.
1ª etapaà Os alunos foram respondendo as perguntas que eram feitas por mim, de maneira objetiva e simples, no total de 10 questões. Aparentemente coerentes perguntas e respostas sem muitas surpresas. Fiz mais uma série de 10 perguntas para que os alunos respondessem com as mesmas respostas dadas para as 10 primeiras perguntas e o lúdico e o prazeroso ocorreu nessa segunda parte. Pois a segunda parte das perguntas não estava coerente com as respostas dadas pelos alunos.
Partindo desde ponto foi desenvolvida discussão a respeito do sentido do texto e suas conexões para o dialogo entre os interlocutores de uma situação comunicacional em uso efetivo.
1ª parte das perguntas:Os alunos ficaram bastante a vontade para responder aos comandos solicitados e perceberam a importância da coerência a partir da falta de sentido obtida em cada resposta.
Aproveitei as 10 respostas dos alunos(as) e solicitei um texto de cada aluno que envolvesse as respostas que eles construíram. Abaixo segue um texto de um dos alunos, solicitado e autorizado para se trabalhar a coerência e a coesão a partir da análise coletiva. O texto foi colocado na íntegra em transparência.
“Eu e meu amigo - Aluno (a) Quarta fase – Escola Raulino
Olha tenho um amigo chamado Eraldo ele e natural de Afrânio mora no bairro cosmidanião tem 26 anos tem três filho é um rapais religioso gosta muito de ir a missa tem um certo gosto por camisa vermelha adora conversa com as pessoas tem pavor a violência gosta de acorda as 9:00 horas da manhã.
as vezes saímos junto com 100 reias para um grande show de nosso cantor preferido e Zezé de Camargo e Luciano aus sábado si reunimos eu eles e os nossos amigos para a sistir o programa rau Gil.
E aumocamos juntos au domigo uma bela feijoada.”
O texto acima foi colocado no retroprojetor para que os alunos, coletivamente e sem nenhuma situação que pudesse constranger o autor do texto, para a discussão em relação ao sentido e aos termos que ligam uma idéia a outra.
De imediato o que os alunos observaram foi a inadequação da norma culta e relação a ortografia, com as intervenções da professora foi observado também as repetições, a concordância, a estética do texto, enfim o texto foi analisado como um todo.
A medida que os alunos iam fazendo suas colocações, estava surgindo no quadro uma reescrita coletiva, pois os alunos faziam as colocações e a professora escrevia no quadro.
Portanto, a reescrita coletiva ficou da seguinte maneira:
Observei que mesmo fazendo o texto a partir das idéias e dos elos que ligam um termo a outro, alguns alunos ainda fazem a transposição do quadro para o caderno, esquecendo de alguns acentos, de S ou R. Mas, foi um trabalho bastante proveitoso pois os próprios alunos perceberam a real necessidade de melhorar a escrita para que os textos tenham uma sequência de sentido, sem falar do estilo e estética na produção textual.
Para dar continuidade ao trabalho de coesão, conseqüentemente desenvolver e revisar a classe dos pronomes, foi entregue a cada aluno uma cópia do texto “ Apólogo de Machado de Assis, para trabalhar: os pronomes e os termos de retomada e antecipação a partir da classe gramatical em questão.
ATIVIDADE PARA QUARTA FASE: Trabalhar os conectivos de ligação (coesivos) e o sentido do textos (coerência)
Aluno: --------------------------------------------------------------- Data: -------/----------/--------
Leia texto abaixo prestando atenção aos conectivos em destaque e responda:
"Um apólogo
Era uma vez uma agulha, que(1) disse a um novelo de linha:
- Por que você (2) está com esse ar, toda cheia de si, toda enrolada, para fingir que vale alguma cousa neste(3) mundo?
- Deixe-me (4), senhora(4).
- Que a (5) deixe? Que a deixe, por quê? Porque lhe (5) digo que está com um ar insuportável? Repito que sim, e falarei sempre que me (6) der na cabeça.
- Que cabeça, senhora? A senhora não é alfinete, é agulha. Agulha não tem cabeça. Que lhe importa o meu(7) ar? Cada qual tem o ar que Deus lhe (8) deu. Importe-se (9) com a sua vida e deixe a dos outros.
- Mas você (10) é orgulhosa.
- Decerto que sou.
- Mas por quê?
- É boa! Porque coso. Então os vestidos e enfeites de nossa ama, quem os(11) cose, senão eu(12)?
- Você? Esta agora é melhor. Você que os cose? Você ignora que quem os cose sou eu, e muito eu?
- Você fura o pano, nada mais; eu é que coso, prendo um pedaço a outro, dou feição aos babados...
- Sim, mas que vale isso(13)? Eu é que furo o pano, vou adiante, puxando por você, que vem atrás obedecendo ao que eu faço e mando...
- Também os batedores vão adiante do imperador.
- Você é imperador?
- Não digo isso. Mas a verdade é que você faz um papel subalterno, indo adiante; vai só mostrando o caminho, vai fazendo o trabalho obscuro e ínfimo. Eu é que prendo, ligo, ajunto...
Estavam nisto(14), quando a costureira chegou à casa da baronesa. Não sei se disse que isto se passava em casa de uma baronesa, que(15) tinha a modista ao pé de si(16), para não andar atrás dela(17). Chegou a costureira, pegou do pano, pegou da agulha, enfiou a linha na agulha, e entrou a coser. Uma e outra iam andando orgulhosas, pelo pano adiante, que era a melhor das sedas, entre os dedos da costureira, ágeis como os galgos de Diana, para dar a isto uma cor poética. E dizia a agulha:
-Então, senhora linha, ainda teima no que dizia há pouco? Não repara que esta(18) distinta costureira só se importa comigo(19); eu é que vou aqui entre os dedos dela, unidinha a eles(20), furando abaixo e acima...
A linha não respondia nada; ia andando. Buraco aberto pela agulha era logo enchido por ela(21), silenciosa e ativa, como quem sabe o que faz e não está para ouvir palavras loucas. A agulha, vendo que ela não lhe(22) dava resposta, calou-se também, e foi andando. E era tudo silêncio na saleta de costura; não se ouvia mais que o plic-plic-plic-plic da agulha no pano. Caindo o sol, a costureira dobrou a costura, para o dia seguinte; continuou ainda nesse e no outro, até que no quarto acabou a obra, e ficou esperando o baile.
Veio a noite do baile, e a baronesa vestiu-se(23). A costureira, que(24) a(25) ajudou a vestir-se, levava a agulha espetada no corpinho, para dar algum ponto necessário. E enquanto compunha o vestido da bela dama, e puxava a um lado ou outro, arregaçava daqui ou dali, alisando, abotoando, acolchetando, a linha, para mofar da agulha, perguntou-lhe:
- Ora, agora diga-me(26), quem é que vai ao baile, no corpo da baronesa, fazendo parte do vestido e da elegância? Quem é que vai dançar com ministros e diplomatas, enquanto você volta para a caixinha da costureira, antes de ir para o balaio das mucamas? Vamos, diga lá.
Parece que a agulha não disse nada; mas um alfinete, de cabeça grande e não menor experiência, murmurou à pobre agulha:
- Anda, aprende, tola. Cansas-te(27) em abrir caminho para ela e é ela que vai gozar da vida, enquanto aí ficas na caixinha de costura. Faze como eu(28), que não abro caminho para ninguém. Onde me espetam, fico.
Contei esta história a um professor de melancolia, que me disse, abanando a cabeça:
- Também eu tenho servido de agulha a muita linha ordinária!"
Machado de Assis. Contos. 18.ed. São Paulo, Ática, 1994 p.89.
1 – Preencha o quadro abaixo, com base nos conectivos em destaque do texto acima.
N.
PALAVRA (S) CLASSE GRAMATICAL TERMO RETOM. OU ANTECIPADO
QUE
VOCÊ
NESTE
ME
SENHORA
A
LHE
ME
MEU
LHE
SE
VOCÊ
OS
EU
ISSO
NISTO
QUE
SI
DELA
ESTA
COMIGO
ELES
ELA
LHE
SE
QUE
A
ME
TE
EU
Primeiro, os alunos tentaram fazer a atividade individualmente, depois foi retomada junto com a professora, para que a compreensão acontecesse de forma integral, atingiu o resultado esperado, pois os alunos chegaram a conclusão que não precisa repetir uma mesma palavra diversas vezes no texto sem necessidade e perceberam que há outras palavras que pode substituir uma palavra ou termo por outro, sem que o texto perca o sentido.
segunda-feira, 24 de agosto de 2009
Oficina coesao e coerencia, por Antonia Reis
Foram utilizadas quatro aulas para desenvolver as atividades (aula 2 do AAA 5) programadas, as mesmas eram referentes à coerência em textos não verbais, com o objetivo de caracterizar a coerência nos mesmos.
Inicialmente a sala se dividiu em duplas, as mesmas se formaram de maneira espontânea, logo após foi entregue as cópias do texto para que os alunos observassem e fosse feita a leitura sobre a autora, para que eles soubessem a importância dela para a produção nacional de livros infanto-juvenis. Depois disso foi dada a orientação para que os alunos procurassem as pistas (detalhes gráficos) dos quadros, das imagens que auxiliassem a construção da sequência da história (um gesto, uma expressão, um movimento, um objeto, etc.), para assim poderem ordenar a história, observando a sequência correta.
No segundo momento, os alunos deveriam recontar, em um texto verbal, a história que tinha sido colocada em ordem, utilizando palavras como: então, logo depois, assim que, mais tarde, depois disso, nesse momento, por isso, porque, pois, mas, entretanto, portanto.
No terceiro momento, ouve a discussão sobre os seguintes questionamentos: Quais foram as pistas que você encontrou nas imagens para ordenar os quadrinhos da história da Bruxinha Atrapalhada? Imagine que, na ordenação dos quadros, um aluno da turma tenha trocado os dois últimos quadros da sequência. Seria possível a mesma? Por quê?
O legal é que quase todos os alunos conseguiram ordenar a história de acordo com a sequência esperada, conseguiram perceber a ironia presente no quadro, ou seja, ao varrer os cacos, a Bruxinha os joga para debaixo e atrás da folha, criticando um comportamento das pessoas semelhante a este, que é o de varrer a sujeira para debaixo do tapete. E que se os quadros forem invertidos, não, haveria relação entre a atitude da bruxa e sua expressão de disfarce, ao sair cantarolando. E ainda, perceberam que as palavras que eles utilizaram para escrevê-la serviram para ligar as partes do texto de modo que se tornasse coerente.
Finalmente houve a socialização dos textos. O resultado foi belíssimo, os alunos cada dia mais empenhados nas atividades, participando de forma assidua e nós como educadores ficamos, felizes, satisfeitos com os resultados, uma vez que, vemos os nossos objetivos sendo alcançados.
sábado, 22 de agosto de 2009
OFICINA APLICADA POR FÁBIO
Assim, com o objetivo de levar meus alunos a fazer a distinção entre tipo e gênero textual e, ainda, utilizar estratégias textuais adequadas para produzir variados gêneros, propus as seguintes atividades à minha turma de 7ª série:
______________________________________________________________________________________
FAMÍLIA DE UMA PALAVRA É PARECIDA COM A NOSSA FAMÍLIA. SÃO DA MESMA FAMÍLIA PALAVRAS QUE TÊM A MESMA ORIGEM, CUJO SIGNIFICADO TEM RELAÇÃO.
OBSERVE AS PALAVRAS ABAIXO e responda ao que se pede em seguida:
NARRAÇÃO - DESCRIÇÃO - DISSERTAÇÃO - INJUNÇÃO - PREDIÇÃO
A) Qual ou quais dessas palavras vocês não conhecem? Qual ou quais vocês nunca usaram?
B) Mesmo sem conhecer algumas delas, procurem indicar ou inventar, para cada uma delas, uma família. Preencham o quadro a seguir com os “membros” dessa família, ou seja, escrevam palavras que se relacionem às primeiras de alguma maneira.
Verbo
Substantivo
Adjetivo
Advérbio
Descrição
Dissertação
Predição
Injunção
(Vale salientar que, para que os alunos pudessem preencher corretamente as colunas, fiz uma rápida revisão sobre as classes de palavras.)
C) Agora, vão ao dicionário e vejam não só o significado das palavras, mas os membros da família que lá estão apresentados. Nesse momento eles puderam perceber que em alguns dicionários não era comum a palavra injunção. Assim, pedi a um dos alunos que lesse o significado constante em determinado dicionário e esclareci as dúvidas remanescentes.
D) Pois bem, depois desses estudos dos verbetes, vamos ao nosso assunto específico: os tipos de textos de que são formados os gêneros textuais. Agora, de acordo com o que vocês já sabem e os significados informados pelo dicionário, classifiquem as passagens abaixo em narrativas, descritivas, dissertativas, injuntivas e preditivas.
1. O serviço de meteorologia informa: nos próximos dias, tempo chuvoso e calor em quase toda a região sul.
2. A menina aparentava dez anos e tinha os olhos assustados.
3. As cartas mostram a chegada de um moço alto, louro, num carro moderno.
4. Serafim saiu subitamente do quaro, atravessou o corredor e declarou já na sala: - não aceito a proposta.
5. O elefante é o bicho de mais sorte que conheço. Já nasceu com canudinho de tomas refresco., o elefante não é caminhão, mas de vez em quando dão uma trombada.
6. Não deixem de ver a última aventura do 007.
7. Noite de festa. Todo mundo alegre e vestido a rigor.
8. Essa solução é impossível, uma vez que todos há se posicionaram contra ela.
9. Há duas passagens preditivas, na atividade anterior. Vocês vêem diferenças entre elas?
Durante o trabalho, os alunos tiveram poucas dificuldades na identificação dos tipos. Na discussão que se seguiu cada dupla expôs sua conclusão sobre os tipos presentes no conto lido.
As produções foram excelentes. Os alunos conseguiram realizá-las superando minhas expectativas iniciais. Suas dificuldades foram superadas e os objetivos alcançados.
domingo, 2 de agosto de 2009
MEMORIAL DE EDIVÂNGELA
EDIVÂNGELA FERREIRA DE SOUZA RODRIGUES
Filha de uma mulher guerreira que lutou para superar os obstáculos de uma época onda a educação não era considerada prioridade. Essa mulher, minha mãe Luiza, tornou-se professora leiga e iniciou suas atividades docentes em nossa própria casa. Naqueles dias não existiam muitas creches, escolas infantis, hoteizinhos, nem tão pouco cursinhos com aulas de reforço ou isoladas. Não sei como conseguiu avançar tanto! Sei apenas que apesar de muito difícil, fez uma parceria com a prefeitura e dava aulas para turmas multisseriadas com alfabetização de crianças, jovens e adultos em uma sala ampla em nossa residência. É interessante dizer que os alunos recebiam a merenda escolar cedida pelo município. Cabe ressaltar que essa prática era muito comum para os distritos, agrovilas e ou cidades que não tinham estruturas com prédio escolar. Nesse caso, o fato espetacular reside na questão de morarmos praticamente no centro da cidade de Juazeiro-BA. Quero resumir esse parágrafo elogiando minha mãe por ser uma grande empreendedora (penso que foi uma das pioneiras em matéria de escolas – hoje é um sucesso nacional) e, por nos permitir nascer em um lar cuja educação era e continua sendo o alvo.
Nesse universo fui criada e educada, passando a ser auxiliar de professora desde os seis anos de idade, visto que já sabia ler e escrever muita coisa. “Filha de professora tinha que ser exemplo” dizia sempre toda orgulhosa. Com anos de carreira no “magistério”, aos doze anos eu já tinha minhas turmas formadas e tratava de alfabetização de adultos. O método era o mais tradicional e símples possível. Garanto a vocês: dava certo e todos aprendiam a ler e escrever o básico. Recordo-me que usamos a cartilha do ABC que trazia alfabeto, consoantes, vogais, padrões silábicos simples, travados, complexos e findava com formação de palavras. Usamos também o ABC luxuoso dos animais e das aves. Eram lindos e coloridos com gravuras que nos deixavam encantados. A de águia, B de borboleta... Z de zebra. Outro encanto era a Cartilha do Povo. Trazia textos com exploração de palavras e padrões silábicos e, sobretudo, lições de vida. Lembro-me perfeitamente a história de Frederico o preguiçoso que peregrinou à procura de alguém para desfrutar do tempo roubado dos estudos para brincar, mas nem as formigas pararam de trabalhar para fazer-lhe companhia, visto que tinha “filado” as aulas. A tabuada era o forte do momento e apesar de nunca ter levado nenhum bolo, para minha vergonha hoje, admito que incentivei muitos alunos para que estudassem a fim de não levar bolos com a palmatória dos coleguinhas de sala. Não tive culpa desse processo. Fui professora mirim (status) e apenas reproduzi o sistema. Uma coisa é certa: “por medo de apanhar, passar constrangimento ou vergonha, decorando ou não, o povo sabia a tabuada”.
Por volta dos 14, 15 anos, comecei a sonhar em ser advogada ou psicóloga, mas como não existiam estes cursos na região, optei por fazer o magistério e em seguida por pedagogia (turma pioneira da FFPP). Sem frustração alguma, embarquei nessa viagem dos nobres e cultos pedagogos. Ao iniciar minha carreira propriamente dita, passei por situações excessivamente delicadas e contraditórias às orientações dos teóricos.
Ao ser convocada pelo estado de Pernambuco, tive que assumir as primeiras turmas no Projeto Caraíbas na Agrovila 12 em Santa Maria da Boa vista. Algo SURREAL – classes multisseriadas e turmas de EJA. Consegue imaginar a professora com 18 anos dando aula para cerca de 40 alunos à noite, todos adultos ou jovens com mais idade que a professora? Confesso que minha sorte foi em primeira ordem, a escola da vida que aprendi dentro de casa com o exemplo de minha mãe, em segunda, a novela da Rede Globo que passava a história da professorinha e o Sassamutema (o Salvador da Pátria), que trazia lições de cidadania, respeito às diferenças e manutenção da identidade do indivíduo para não se deixar levar pelo conformismo, pelo paternalismo e outros ismos da vida. Mas o advento do grande Paulo Freire foi um marco para minha trajetória. Fiz muito pelo social daquele povo que aprendi a amar, valorizar, respeitar e a crescer junto.
Um nome bem conhecido na época era o do radialista Guanay Atanásio que tinha um programa famoso “meloso/dramático” que lia cartas de amor daquelas do tipo: ...vivíamos um pra o outro até que... Lágrimas, sangue, traições, mortes, reencontros. Foi um “melô” que me ajudou a definir a metodologia de trabalho. Todos queriam aprender a ler e escrever apenas para fazer as suas catinhas e enviar para o Guanay Atanásio. Que sorte a minha! Tratei de trabalhar, assim como Paulo Freire, em vez de TI-JO-LO! GUANAY! Foi um sucesso. Eu era a professora, a amiga e também o pombo-correio. Em parceria com minha colega de casa (morávamos na agrovila 12) consegui levar o grande locutor, radialista e preparador técnico do Petrolina para uma partida de futebol de campo com os moradores das 42 agrovilas. Nada menos que Guanay e seu famoso time, cerca de trinta e cinco homens, foram jogar na nossa agrovila contra o time formado pelos moradores das 42 vilas de reassentados no Projeto Caraíbas. Foi algo de novo SURREAL. Imaginam que não dava para contar o número de carros, caminhões e pipas, carroças, cavalos, motos e bicicletas que lotaram a nossa pequena vila pra o grande jogo! O sonho do povo estava realizado. As cartas? Continuaram sendo escritas, idas e ouvidas com lágrimas ou sorrisos, mas depois do jogo amistoso tudo ficou mais real para eles.
Pena que toda essa festa teve que acabar. Nesse período eu já era estudante de pedagogia e não poderia continuar morando distante da FFPP e tive que apelar por uma remoção. “Coisa” que consegui em poucos meses graças a Deus e à ajuda de um grande político da Bahia. Depois disso, passei pelo Projeto Bebedouro e pelo Projeto Nilo Coelho, C-3. Finalmente saí da zona rural e confesso que foi um salto para o futuro. Já formada em pedagogia com habilitação em Administração e Supervisão Escolar, recebi convite para ser gestora da Escola Dom Malan. Ao término do mandato, mesmo recebendo convite do grupo de oposição para continuar na direção ou compondo a equipe gestora, preferi assumir sala de aula e coordenação do laboratório de informática. Fui encorajada a fazer seleção para Educador de Apoio e há sete anos desenvolvo a função com bastante garra e determinação.
Procuro sempre fazer o melhor, embora saiba muito pouco sobre tudo, inclusive sobre a Língua portuguesa. Importa dizer que sou profissional feliz e que sonha em fazer o mestrado, cultivar amizades e aprender a nossa língua. Estou há vinte anos fazendo parte da educação em Pernambuco e continuo apaixonada pelo que faço, pois acredito ser bom para a humanidade.
segunda-feira, 27 de julho de 2009
Oficina V – Unidade 16
Relatório de atividades desenvolvidas
Nesta unidade, as atividades foram selecionadas de modo a estimular uma reflexão sobre a comunicação escrita como um trabalho processual baseado na aquisição de novos conhecimentos e na troca de informação nas diversas situações sociocomunicativas da vida diária.
De acordo com o tema geral: A produção textual _ Crenças, teorias e fazeres, foi necessário fazer algumas adaptações das atividades contidas nas seções 2 e 3.Para tanto, a primeira medida tomada foi alterar o tema textual do Avançando na prática, focalizando os principais pontos turísticos de Petrolina.
Assim, a apresentação foi montada em forma de slides e intitulada de City Tour como forma de convite a fazer uma breve viagem por pontos freqüentados por todos, mas não apreciados da forma como deveriam.
Durante a pesquisa de imagens percebi a carência de fotos na internet desses lugares, mas selecionei as melhores, e foi bem interessante alguns comentários, pois havia imagens que só era possível identificar o local porque eu estava relatando como as localizei na internet, deixando-os surpresos com a precariedade de informações e fotografias contidas na rede sobre a cidade de Petrolina.
Passado este primeiro momento, os alunos observaram a hierarquização das dimensões dos gêneros, ponto fundamental no momento de produção, e acompanharam a atividade de um quadro expositor confrontando duas situações diferentes, mas mantendo o mesmo formato do documento_ cartão-postal, a diferença estava nos destinatários, um era amigo e o outro o chefe.
Este momento foi importante para eles perceberem as peculiaridades comuns de cada modelo.
Passada esta fase, os alunos simularam uma situação comunicativa, na deveriam enviar um cartão-postal para um amigo ou parente, e outro para o chefe, pois teriam que agir como um funcionário em serviço relatando as belezas de Petrolina, é importante ressaltar que esta fase foi individual. Logo após a escrita, as produções textuais foram socializadas e muitas gargalhadas foram dadas, pois foi interessante ouvir a criatividade dos alunos, muitas vezes deixadas de lado, já que é comum levarmos exemplos prontos subestimando o poder de criação dos mesmos, esta etapa comprovou como é importante valorizar o que eles produzem, pois é comum este momento ser bem restrito apenas à leitura do professor.
Na aula seguinte(a noite), a turma foi dividida em grupos e os alunos elegeram e adaptaram o melhor texto do grupo a ser reproduzido num cartão-postal gigante para ser exposto no colégio como forma de incentivo a visitação bem como proporcionar informação. Este momento foi marcante porque os alunos se dispuseram a ir ao colégio em outro horário para finalizar o trabalho no tempo previsto, demonstrando comprometimento.
No término da oficina todos entenderam a importância da leitura e da escrita como forma de registro para a perpetuação da memória cultural dos povos.
Cícera Patrícia Vasconcelos Rodrigues Bione
Visualização dos pontos turísticos de Petrolina_ City Tour
Produção individual dos cartões-postais
Confecção dos cartões-postais individuais
Escolha e adaptação do melhor texto para reprodução no cartão-postal gigante
Texto formal
Texto informal
sábado, 4 de julho de 2009
4ª oficina aplicada por ANTONIA
LINGUA PORTUGUESA
ESCOLA PROFESSOR MANOEL XAVIER PAES BARRETO
Professora: Antonia Mª Reis de Macedo Menezes
ROTEIRO DE ATIVIDADE DO AA4, UNIDADE 14 – AULA 5:
O PROCESSO DE LEITURA
Relatório da Oficina
Foram utilizadas quatro aulas para desenvolver as atividades programadas, as mesmas eram referentes ao Processo de Leitura, com o objetivo de relacionar os objetivos de leitura aos diferentes textos.
No primeiro momento fiz, juntamente com os alunos, a leitura de dois textos diferentes: um bilhete familiar, no qual a filha manda um bilhete para o pai falando que estava com muita saudade e um verbete de dicionário com o significado da palavra saudade. Logo após a leitura, os alunos responderam algumas questões a respeito dos textos lidos, o que os levou a refletir sobre o objetivo da leitura de cada gênero. Logo após houve uma conversa informal sobre o imenso leque de textos que nós temos ao nosso redor e o porquê da leitura deles.
No segundo momento a sala se dividiu em duplas, formadas de maneira espontânea. Cada dupla recebeu alguns textos de gêneros diferentes, dentre eles: manual de instrução, propaganda, música, declaração, receita, conto, anúncio, horóscopo, poema, mensagem, história em quadrinhos, crônica, nota de agradecimento, convite, música infantil, para identificar o gênero textual e o objetivo da leitura.
Houve participação de todos, e observei que eles realmente discutiam entre si sobre a importância da leitura daquele determinado texto, não só para própria vida, mas para a vida de outras pessoas e da sociedade.
Finalmente houve a socialização das atividades;momento em que os alunos falaram sobre os seus textos, qual o objetivo da leitura de cada um, qual a sua importância para o nosso dia a dia. Eles perceberam que os objetivos são os mais diversos e que isso está relacionado à situação de produção.
O resultado foi belíssimo. Percebo que os alunos estao, a cada dia, mais empenhados em realizar as atividades que proponho a partir do programa Gestar; eles participam de forma efetiva com muita empolgação e responsabilidade. Como educadora, fico feliz e satisfeita com os resultados, uma vez que, vejo os objetivos meus e do programa sendo alcançados.
quinta-feira, 2 de julho de 2009
1ª OFICINA APLICADA POR FÁBIO
PRIMEIRO MOMENTO
A biografia de Carlos Drummond de Andrade foi o ponto introdutório do trabalho.
Após a leitura do texto, procurei identificar com os alunos que informações estavam contidas no mesmo. Por exemplo: Onde Carlos Drummond nasceu? Em que ano ele nasceu? Em que se formou, trabalhou ? O que ele escreveu? Como era ele? Onde faleceu?
Em seguida, a partir de situações, as características do gênero textual ficaram evidentes, o que os levou a classificar o texto lido como biografia.
Em seguida, conversamos sobre a importância de registrar por escrito a história da vida de todas as pessoas, especialmente daquelas que têm um trabalho relevante perante a sociedade. Ao final da aula, pedi que cada aluno levasse no dia seguinte uma fotografia em que ele aparecesse sozinho.
SEGUNDO MOMENTO
Iniciei esta etapa conversando sobre a importância de cada pessoa para sua família e amigos e sobre a necessidade de se conhecer e deixar-se conhecer pelos outros, momento em que os alunos falaram sobre si, suas preferências, necessidades, fatos marcantes da vida, etc.
Expliquei, então, a atividade do dia: produzir uma autobiografia.
Eles deveriam colocar a foto trazida na parte superior da folha de ofício ou caderno – aqueles que não trouxeram, poderiam desenhar um autorretrato - e escrever sobre sua história de vida, em terceira pessoa. Para que não usassem a primeira do singular, uma aula de análise lingüística sobre o assunto foi necessária. Não foi fácil para eles assimilar a proposta e adotar outro ponto de vista ao falar sobre eles mesmos e isso os levou a atividade de releitura, auto-avaliação e reescrita, mas ao final do processo todos conseguiram.
RESULTADO
A atividade foi bastante proveitosa, e alguns alunos ficaram após o término da aula para concluí-la, sob a alegação de que não queriam deixar de fazer um texto no qual eles eram os protagonistas. Foi então que me dei conta de que, a maioria deles, mostrou uma grande satisfação ao produzir um texto que os tornou mais conhecidos diante de outras pessoas e até de si mesmos.
VEJAM ALGUMAS DAS EXCELENTES PRODUÇÕES:




Oficina aplicada usando o TP3




